areia entre os dedos

cócegas nas narinas, enquanto sangram

choro contido
lâminas enfurrujadas na boca

brigo firme contra os lençóis no varal
cheiros de raiva…
cheiros de desespero…

cócegas nos joelhos, imersos na poça de sangue

tração de volta, atraso
outra tentativa frustrada de rebusca

a impressão de ter vivido um dia só durante dois anos
um ‘go ahead’ reverso e estranho
triste…

cócegas nos olhos, o sangue já me cobre

requintes da violência do aborto aos sonhos, aos planos
irreconhecimento mútuo – nada pra consertar, nada pra salvar

dor do arrependimento
muita, muita dor
acho que arrependimento mata sim

é uma parte sua que morre, quando se vai a areia entre os dedos
…a outra morre quando o vento sopra e espalha a areia pra nunca mais

já era

remorso terrível
amargor e aperto no peito

abismo existencial
afogamento por si…por dentro…

tempo ido

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~ por rossso77 em outubro 16, 2011.

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